26 de
outubro

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Um triângulo perfeito estava formado na sala. Seus componentes pareciam regidos por algum ser fora de cena para enquadrá-los de maneira que ficassem em um dos vértices. Ou, talvez, alguém mesmo dentro de cena que se importasse com as formas clássicas e não permitisse que algo desse errado. Ninguém reparava no detalhe. Mas isso, pouco importava.

- Motivos, motivações, porquês, causas, consequências… Será que agimos sempre sob o manto das razões? É possível que tenhamos momentos completamente insanos – no sentido de se opor à sanidade média – e que não tenha explicações? Não, não é possível, para responder a minha própria questão. Eu acredito que, por mais absurda seja a razão, por mais irreal que ela pareça, por mais louca e grotesca, ela sempre existirá. Às vezes está completamente oculta, submersa, inconsciente. Outras vêm à tona fácil e rapidamente. E há também os planejamentos, os grandes estratagemas, os projetos de curto, médio e longo prazo. Posso considerar que a maioria das minhas atitudes pertence a esta última declaração. Sei que é complicado competir com o destino, mas estava pronto para encarar a missão.

“No início, na primeira vez que toda essa história me ocorreu, ela era simplesmente uma biografia. O livro nasceu de uma espécie de diário, onde anotava todos os meus passos, as minhas sensações, as angústias e receios por que passava. Tinha a intenção clara de me matar pelos motivos apresentados no livro. Não há mentira nisso. Achava que era apenas um traste no caminho de todos a minha volta e só resolveria esse problema caso desse um fim em mim mesmo. Escrever sobre isso era uma maneira de controlar o impulso e manter a lógica intacta. Propus-me, então, que tinha que ser da minha maneira, eu arquitetando cada detalhe. Via-me como uma espécie de diretor de cinema cujo filme é a própria vida real. Primeiro eu escrevia o roteiro, depois tinha que montar os cenários, o figurino e ter cuidado para que tudo parecesse verossímil.

“Cheguei a um ponto que não haveria volta. Deveria me matar exatamente igual ao texto para que ele se tornasse realidade. Contudo, e admito isso sem nenhuma vergonha, porque não vislumbro nenhum fim em ficar encabulado, queria ser o dono da história até o final. E só poderia fazer isso de fora.”

Sem participações.... Ainda.

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